sábado, 13 de outubro de 2012





E Deus fez os normais de beleza. Com uma unica função que a beleza seja comum na criação.


O que antes era considerado belo, justo e bom?! Justiça, bondade, respeito, amor, dignidade, prudência, família, cordialidade, política, harmonia e tudo mais que levasse o homem a completar a criação do seu Criador. Hoje o que se tem como belo?! Apenas um padrão imposto por um mundinho de poucos e que o final desta história é como a partida de xadrez. No final pião e rei serão guardados na mesma caixa.
Tenho dito!!

domingo, 29 de abril de 2012

Como um costume... Mesmo assim sou feliz!


Mas o que estaria eu fazendo ali, que não gosto de jogar nem palito, fazendo naquele lugar? Meus amigos não sabiam, mas o que eu queria mesmo não era ficar apostando fichas, papos para o ar numa mesa, e sim assistir a um show no lendário Golden Nugget, porque o mundo não é feita só de jogos, mas também de grandes espetáculos. O artista? Ele. A Voz. Frank Sinatra.

E Sinatra não decepcionou. Cantou Fly Me to the Moon, Strangers in the Night, New York, New York, fazendo o imenso teatro quase levitar; e de repente atacou uma música que mexeu comigo de um jeito que eu não esperava: My Way.

"I've lived a life that's full/ I traveled each and every highway/ And more, much more than this/ I did it my way"...

A música, adaptada por Paul Anka da francesa Comme d'Habitude, é o desabafo de um homem que confessa que viveu intensamente, amou, viajou, riu, chorou e sabe que, em alguns momentos, mordeu mais do que podia mastigar. Mas de nada se arrepende, pois tem a consciência de que, tudo que fez, fez porque quis e, acima de tudo, fez como quis. "Fiz do meu jeito", insiste - I did it my way.

O impacto sobre meu ser foi forte porque eu tinha duas dúvidas que ficaram mais fortes depois que eu refleti sobre a música. A primeira é se eu estava conduzindo minha vida do jeito que eu queria. A segunda é se, afinal, eu sabia que jeito era esse.

Comme d'Habitude

Como de Costume
Eu me levanto
E te procuro
Mas você acorda não acordará
Como de costume

Sobre você
Eu coloco o lençol
Tenho medo que você tenha frio
Como de costume

Minha mão
Acaricia seu cabelo
Quase a pesar
Como de costume

Mas você
Você vira as costas para mim
Como de costume

Então
Eu me visto rapidamente
Deixo o quarto
Como de costume

Sozinho
Eu bebo meu café
Estou atrasado
Como de costume

Silenciosamente
Saio de casa
O céu está cinza lá fora
Como de costume

Eu sinto frio
Levanto minha gola
Como de costume


Como de costume
O dia inteiro
Eu vou jogar
Um faz de conta
Como de costume
Eu vou sorrir
Como de costume
Eu vou até rir
Como de costume
Finalmente eu vou viver
Como de costume

E depois
O dia acabará
E eu voltarei
Como de costume

Você
Você terá saído
E ainda não terá voltado
Como de costume

Sozinho
Eu irei me deitar
Nesta cama fria
Como de costume

Minhas lágrimas
Deixarei cair
Como de costume

Mas como de costume
Bem tarde da noite
Eu vou jogar
Um faz de conta
Como de costume
Você voltará
Como de costume
Eu te esperarei
Como de costume
Você sorrirá para mim
Como de costume

Como de costume
Você se despirá
Sim, como de costume
Você se deitará
Sim, como de costume
Nós nos beijaremos
Como de costume

Como de costume
Vamos fingir
Como de costume
Amaremos-nos
Sim, como de costume
Vamos fingir
Como de costume

Ainda assim espero.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Dedico-lhe minha homenagem!

"Cuidado, a vida é pra valer. E não se engane não, tem uma só. Duas mesmo, que é bom, ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado, com certidão passada em cartório do céu, e assinada embaixo: Deus! e com firma reconhecida."

A frase acima é Vinícius de Moraes e a composição desde texto Eugenio Mussak, com adaptação por minha conta e contextualização. Só podia ser de transgressores. É uma das partes faladas do Samba da Bênção, que Vinicius de Moraes compôs e Baden Powell musicou. Enaltecendo a beleza do samba e a aventura do amor, ele fala mesmo, em seus versos, da arte de viver. Pede bênção aos amigos e diz que já viajou em muitas canções, mas que ainda há muitas para viajar.

Os versos de nosso "poetinha" resumem como poucos a dupla função da poesia: agrada aos sentidos e faz pensar. "Cuidado, a vida é pra valer", não é algo a ser desperdiçado, até porque, "não se engane não, tem uma só". Por isso temos que estar de bem com ela.

Estar de bem com a vida. Esse é um tema que ultrapassa o terreno estéril das frases de efeito e chega ao território fecundo da filosofia, minha ária. "Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão", disse Nietzsche, para depois admitir que invejasse a leveza desses seres. "Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arranca lágrimas e canções", completou. Pois até o mal-humorado filósofo alemão admitiu que há virtude em buscar a paz com o viver.

E o que é estar de bem com a vida senão a capacidade de manter um estado de alegria a despeito das vicissitudes da própria? É claro que a vida é dura, injusta e muitas vezes cruel conosco. Todos sofremos com as perdas e com as angústias próprias do viver, mas não é disso que estamos falando. As condições externas influem, sim, mas o tema aqui é o estado da alma.

Não me agrada o discurso fácil da auto-ajuda que insiste que você tem a obrigação de ser feliz. Não, felicidade não é uma obrigação nem uma competência. Não é uma alienação. Felicidade nem sequer é um estado definitivo, e com certeza não é um lugar aonde se pode chegar. Por outro lado, não me agrada também a condição das "vítimas do sistema", que se orgulham de sua amargura e a exibem como um troféu conquistado – Falo da Educação em SP.

Conheço pessoas que souberam lidar bem com as dificuldades naturais de suas existências e conheço outras que se transformaram em vítimas tristes nas mesmas condições. É claro que há situações de extrema dificuldade, e negar a tristeza que vem junto é negar a própria condição humana por mim tão falada em aulas e palestras. Mas essa não é a questão. Não me refiro às tragédias, e sim às dificuldades corriqueiras, que impregnam nosso cotidiano como o musgo na face sul do tronco das árvores, e que podem, com o tempo, apagar o brilho de viver. A menos que não se deixe que isso aconteça.

Encontrei pessoas de bem com a vida nas grandes cidades, trabalhando em imensas corporações. Encontrei-as também em pequenas vilas do interior por onde trabalhei ou do litoral por onde passei. Em lugares pobres e em lugares ricos. Em tempos de tranqüilidade e em tempos de crise. Ou seja, em todos os lugares. E também encontrei pessoas de mal com a vida. Onde? Exatamente nos mesmos lugares.

Este talvez seja um dos grandes mistérios da psique humana. O que faz a diferença entre esses dois tipos de indivíduos? Será sua genética ou terá sido sua educação?

Lembro-me de meus colegas de colégio. Estávamos todos naquela fase de definir o futuro, de escolher a faculdade, de sonhar com o sucesso. Eu, por exemplo, já tinha me decidido: queria ser historiador. E também queria ser rico, famoso, comprar um carrão, viajar bastante e ter um monte de relacionamentos, claro. Afinal, éramos todos adolescentes, cheios de espinhas e de sonhos.

Havia ali os futuros engenheiros, advogados, empresários, e até um diplomata – Giovanny! E havia Ricardo. Ele não tinha planos grandiosos, não queria ficar rico nem famoso. Quando alguém lhe perguntava o que queria ser na vida, ele respondia com um sorriso: "Eu quero é ser feliz". E eu via sinceridade em sua afirmação.

O Ricardo era desses garotos raros que, ao contrário da maioria, não parecia estar em guerra contra o mundo. Não tinha inimigos, não se empatotava para odiar a outra "patota". Não se queixava das exigências dos professores nem da dureza das provas, que, aliás, ele tirava de letra, não ligava quando diziam que éramos filhos de pais separados e por isto éramos sem futuro.

Ricardo não era rico, nem bonito, nem atleta talentoso. Ele era como a maioria, com virtudes e fragilidades. Era como eu, só que ele tinha algo que lhe era singular. Ele parecia estar de bem com a vida. Estas são as lembranças que tenho de você meu amigo e que resolvi lhe prestar esta homenagem hoje quando soube que você já não mais me viria visitar, conversa, chorar, sonhar e me fazer sonhar, cantar e me fazer acreditar na vida, mesmo ela sendo ruim às vezes conosco e que para apaziguarmos nossa alma víamos Pedro Almodóvar em casa e depois saímos para bebericar e filosofar sobre. Pois é, soube hoje que você já não estava mais aqui e soube por telefone ainda cedo.

Quero que saiba e que todos saibam que continuaremos juntos meu amigo! O que nos afasta também nos uniu mais! Saudades... E Até breve!

  Crônica de um corpo que pede pausa. Hoje me peguei pensando no que se passou na semana passada. E nesta semana? Também pensei. Semana pas...