terça-feira, 22 de abril de 2025

 

Crônica de um corpo que pede pausa.

Hoje me peguei pensando no que se passou na semana passada. E nesta semana? Também pensei. Semana passada, eu… fui vencido pela dengue. É, fui infectado. Estava com o corpo em guerra, mas ainda não sabia disso.

Conversei com duas pessoas de confiança, daquelas com quem a gente divide mais que café: divide silêncio, divide dor. Falei sobre o cansaço, a dor no corpo, a exaustão. Mas não era aquele cansaço crônico da rotina, não… era outro. Mais fundo. Falei para elas que estava passando mal e que iria embora mais cedo da escola. Afinal, poucos alunos estavam por lá, os conselhos de classe rolando em paralelo às aulas, no meu trabalho, tudo acontece ao mesmo tempo, o tempo todo.

Isso foi numa quarta-feira. E lá estava eu, fatigado de corpo e alma, sem saber que o vírus já passeava em mim.

Na quinta, 17/04/2025, acordei no mesmo horário de sempre, tentando seguir o ritual da normalidade. Mas o corpo… ah, o corpo já não acompanhava. Estava pesado, como se cada músculo tivesse envelhecido cinquenta anos da noite para o dia. Professor, né? Estamos sempre cansados, mas aquele era outro tipo de cansaço. Não fui trabalhar. Esperei. E quando consegui, fui ao hospital, iamspe.

São Paulo, 7h da manhã. Saí quase ao meio-dia. Sem diagnóstico. Apenas com um cansaço ainda maior, agora misturado com frustração. Voltei para casa. Dormi o fim de semana quase inteiro, como se meu corpo pedisse silêncio.

No domingo, ainda mal. Na segunda, feriado, aproveitei e voltei ao hospital. Cinco horas depois, finalmente o diagnóstico: dengue. Mas já no finalzinho, disseram. Um pouco tarde, mas alívio, de certa forma. Mediquei, voltei para casa.

E foi aí que começaram minhas perguntas. Aquelas que a gente faz quando o corpo para, mas a cabeça continua no ritmo acelerado. Eu me perguntei: o quanto nós, trabalhadores, professores, somos importantes para o nosso ambiente de trabalho?

Quando dizemos que estamos doentes… será que acreditam? Ou pensam ser preguiça? Má vontade? Jeitinho?

Eu dou tudo que me pedem. E se você for ansioso como eu, dá um pouco mais. Às vezes até o que não pediram. As pessoas elogiam. Mas isso não me faz querer um busto no corredor nem uma placa com meu nome. Muito pelo contrário, prefiro a discrição. Só que fico pensando…

Naquele dia, ainda tentei avisar. Passei numa sala à tarde, encontrei três alunos (o resto vagava pela escola), e avisei: “Olha, avisem os colegas que semana que vem tem apresentação da disciplina. Eu não estou bem. Acho que vou ao hospital.”

Criança é criança, né? Deu ruim. Fui chamado. “Você saiu e não avisou.”

Veja bem, não estou dizendo que quem me chamou a atenção estava errado. Não estava. Eles estão certos. Primeiro, porque pensam neles. Segundo, porque eu, de certa forma, estou abaixo. Terceiro, porque não formalizei a ausência. E quarto, o mais importante, porque trabalhar com pessoas infantis exige isso: a gente não entrega responsabilidade para criança. Nós somos a responsabilidade.

Escrevo esse texto como um desabafo. Uma reflexão. Me fazendo perguntas.

Sobre quem sou.
Sobre o que faço.
Sobre o que me move ou me paralisa.
E se tudo isso, afinal… vale a pena?

Só isso.


 Crônica: “Os Ossos do Ofício e a Dengue que Me Parou”

Na semana passada, descobri que estava com dengue. Não foi um diagnóstico imediato, primeiro veio aquele cansaço que parecia apenas mais um dia exaustivo de professor. Dor no corpo, peso nos movimentos, a mente nebulosa. Tudo isso eu atribuí à rotina: afinal, na escola, somos multitarefas por natureza. Conselhos de classe, aulas, alunos dispersos, tudo acontece ao mesmo tempo, e a gente segue.

Na quarta-feira, já não aguentava. Avisei duas pessoas próximas que estava mal e fui embora. Na quinta, acordei no horário de sempre, mas meu corpo parecia feito de chumbo. “São os ossos do ofício”, pensei. Só que não. Não fui trabalhar. Decidi ir ao hospital, onde passei das 7 da manhã até quase o meio-dia. Saí sem respostas, apenas com a certeza de que precisava dormir. E dormi. O final de semana inteiro foi um vácuo de sonolência.

Na segunda-feira, feriado, voltei ao hospital. Cinco horas de espera e, finalmente, o veredito: dengue. Já no final, mas ainda assim, dengue. E enquanto me medicava em casa, comecei a refletir não sobre a doença, mas sobre o que ela revelou.

Quantas vezes nós, professores (ou qualquer trabalhador), nos perguntamos se somos realmente importantes no nosso ambiente? Quando adoecemos, será que as pessoas entendem que não é preguiça, não é má vontade, não é "jeitinho”? Eu, que sempre dei tudo e, sendo ansioso, até um pouco mais, me vi questionando: será que isso importa? As pessoas elogiam meu trabalho, mas e daí? Não quero bustos nem placas comemorativas. Quero, talvez, apenas a compreensão de que sou humano.

Naquela semana, ainda tentei cumprir meu papel. Entrei numa sala de aula vazia só três alunos, os outros dispersos pela escola e avisei sobre uma apresentação futura. “Não estou bem, talvez vá ao hospital”, disse. E, como era previsível, deu problema. Fui chamado à atenção. Não culpo ninguém: estão certos. Primeiro, porque cada um pensa em si; segundo, porque hierarquias existem; terceiro, porque não formalizei minha saída; quarto, porque trabalho com crianças e criança não assume responsabilidade, nós é que somos a responsabilidade.

Escrevo isso como desabafo, mas também como reflexão. Quem sou eu no meio disso tudo? O que faço vale a pena? A dengue passou, mas as perguntas ficaram. E, no fim, a única certeza é que, doente ou saudável, a vida segue e a gente junto, carregando não só os ossos do ofício, mas as dúvidas que eles trazem.

sábado, 2 de novembro de 2019


Somos reféns ou criadores do futuro?


Tiago Belotte

Deveríamos enxergar o futuro como o lugar de possibilidades; imaginar, criar e inovar nos conduzem em busca de novas respostas aos nossos desejos

Outro dia eu estava estudando um pouco de história para uma das minhas aulas. Sim, apesar de falar sobre criatividade, tendências e inovação, gasto uma parte do meu tempo olhando para o passado. Aprendi que dessa forma é mais fácil compreender o contexto, enxergar padrões e reconhecer que mesmo falando tanto em disrupção, a vida é continuidade. Foi então, nesse momento de estudo, que comecei a investigar como as pessoas no passado encaravam o futuro.
Três mil anos antes de Cristo, os reis da antiga Mesopotâmia tentavam prever o futuro. No entanto, eles faziam isso utilizando fígado de ovelhas e a posição das estrelas. Não me pergunte como, minha pesquisa tinha um limite. Posteriormente e na Grécia, especificamente em Delfos, um oráculo atraiu personalidades de todos os cantos, em busca de conselhos para tomar decisões melhores em relação ao futuro. 
Então vem Jesus, o calendário vira, e 500 anos depois da passagem do Cristo, as religiões ocidentais fazem as pessoas concentrarem suas atenções na vida após a morte. Porque durante a vida, elas passariam a lidar apenas com um tipo de futuro: o inevitável. Se seu avô era camponês e seu pai também, não havia chance de você se tornar outra coisa. Camponês você também seria. Bem-vindo à Idade Média.
Vem o Renascimento, e com ele ressurge a ideia de que os seres humanos tem controle sobre a própria vida e sobre seu destino. Finalmente, no século dezoito, o Iluminismo reformula o conceito de futuro, como algo aberto que pode ser moldado pra melhor. Em uma palavra, o futuro poderia significar progresso.
Depois dessa viagem ao passado, você deve estar se perguntando qual é o ponto. A questão é que apesar de já termos vivido tudo isso, ainda nos comportamos como reféns de uma única forma de futuro: o provável. Muito conhecido no mundo corporativo como “business as usual”. 
O que significa apenas seguir adiante, executando e funcionando como de costume. Assim, tudo se torna mais previsível, pois o futuro é uma simples extensão do hoje. Entretanto, e se não for isso que queremos? Se a realidade do presente é exatamente o oposto do que queremos para amanhã? As respostas e o jeito de fazer do passado não nos levarão a um cenário diferente.
Então, ao invés de olharmos para o futuro como uma linha, deveríamos enxergá-lo como um cone, com sua parte mais estreita ligada ao agora. Assim, para além do futuro provável, vamos encontrar o plausível e o possível, ou seja, outros cenários que também tem algum potencial de se tornarem realidade. 

E, diante de todos esses cenários, temos o futuro que mais importa: o desejável. Qual realidade nos interessa, como indivíduos, como sociedade e como planeta? Imaginar, criar e inovar são ações que deveriam sempre buscar por essa resposta. Elas deveriam ser investimentos no futuro que você quer criar. Por que não?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ócio

Bom dia per tutti! Este é aos que gostam de ler e refletir comigo.

Hoje acordei pensando na monotonia de alguém que mora há vários anos só e tem uma vida como posso definir boa dentro das possibilidades. Não é de tudo ruim! Agora mesmo, preparando algumas aulas, organizando textos, vendo vídeos e músicas (minha essência depende delas), me vi pensando no silêncio da minha casa (chamo de santuário) acho que mesmo que eu convide alguém para vir aqui, quem realmente deixa a pessoa entrar é a casa. Ela tem personalidade e estilo próprio, quantos amigos, amigas e até familiares eu já chamei e da porta voltaram. E os que entraram não mais queriam sair. Podem me chamar de esquizofrênico, já não ligo mais com os títulos honoríficos que recebo por falar algumas coisas que penso e acho sobre politica, religião, sociedade, história, filosofia, psicologia, psicanalise e tudo mais que envolva a nossa humanidade. Este texto vai para um blog que tenho há alguns anos na net onde faço minhas reclamações, desabafos e reflexões – E sei que lá tenho um “povo” normal assim como eu que se coloca a fazer sua metamorfose psíquica da essência. Então pensei em antes de publicar no dito blog, fazer uma pró-análise aqui no facebookson. Como tenho de arrumar a casa, organizar os livros, retocar uns pontos e depois organizar meu corpo, pensei que fazer um texto para pública.
Francamente não sei como explicar, e também não adiantaria nada se o seu "Para sempre" não for igual ao meu.
É como se eu não soubesse o porquê de estar aqui, é como se eu fechasse os olhos e tudo isso não passasse de coisas que não tem o porquê de estarem onde estão.
Sabe quando a cabeça luta contra tudo a sua volta e seu coração insiste naquela melancolia monotonia?
Sabe quando tudo parece real, só que é igual quando se esta dormindo, e quando se toca, estava apenas sonhando?
Se eu pudesse definir o amor, eu diria que é como você dizer que ama Paris, sem sequer ter ido até lá, é como se você não soubesse o que é o amor realmente, mas você sabe que ele esta ali, você o sente de alguma forma, já a desilusão não se enquadra em nenhum ritual, ela eu definiria como "imprevisível". É como se você ficasse com sono quando não se pode dormir, e ficar como uma energia e tanto quando a cama esta ao seu lado. Alias, não sei o porquê estou falando isso aqui, sendo que a pergunta que mexe com todos meus instintos é: O porquê de tudo isso?
Porque este quarto creme quando tudo na minha mente esta obscuro? Sem respostas?
Porque será que tenho que sorrir quando na verdade eu quero gritar?
Porque arrumar a bagunça da minha casa quando na verdade a parte mais importante do meu corpo esta confusa, minha cabeça?
Porque existem as estrelas se quando a nuvem chega elas desaparecem?
Será que é para termos a certeza de que ela sempre voltara a brilhar? Mas a questão é... E se não brilhar?
Para que falarmos que algo é para sempre se não temos a certeza?
Porque temos que nos preocupar com o final, se o começo não esta nem começando?
Porque acender a luz do quarto quando o resto da casa esta no escuro?
Será que estamos tentando esconder algo?
Pra que as lembranças se elas prejudicam o coração?
Porque as crianças insistem em desenhar casinhas na floresta? Ah, já sei, talvez esses desenhos deram inicio às favelas ou nós que estamos sonhando demais?
O que estamos tentando disfarçar? O que será que nos machuca tanto?
Às vezes pelo simples fato de citarmos essa palavra já machuca.
Certamente a melhor forma de viver é olhar para o final para entendermos o começo e o presente, mas como isso é possível se no final todas nós estaremos mortos?
Pra que criar seu mundo de fantasia se o carnaval já passou?
Pra que se mostrar forte se você esta acabado por dentro?
Pra que insistir em algo no qual já nos mostra o final?
Será que ainda temos a esperança de que algo mude a esta altura do campeonato?
Às vezes nem eu sei direito quem sou, e falar de amor, já se tornou algo perigoso...
Porque será que o amor nos faz sofrer sendo que, poxa, era pra ser a coisa mais bonita do mundo, será que é realmente de amor que estamos falando, ou algo parecido?
Quantas perguntas né?
Mas a questão é: se não existissem as perguntas, quem precisaria das respostas?
Respostas que ninguém sabe se um dia vai chegar, e se talvez algum dia chegar, certamente será no final...
Mas, no final não estaríamos Mortos? (risos) Eu colocarei na minha lapide a seguinte frase de Drummond: ”Eu não estou aqui”. Se você veio aqui para me visitar nem precisava sair de casa. Pois quando você pensou em mim eu já estava com você e você nem percebeu!

Charles Rogers Souza da Silva

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Longe de Aristóteles, longe do coração
Quando lemos ou ouvimos falar em ética, nos reportamos para a esfera política, tantos são os casos de corrupção. No entanto, a Ética, como apresentada nas obras de antigos gregos, não se limita apenas a isso; ela tem a ver com a conduta cotidiana de todo indivíduo, idealizada como a excelência da vida humana
Por Jaya Hari Das*

http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/40/imagens/i370717.jpg

A partir do seu berço, a Antiga Grécia, o estudo da filosofia, passa inevitavelmente por três grandes nomes: Sócrates, Platão e Aristóteles. Este último, no entanto, foi o que apresentou uma espécie de enciclopédia de todo o saber que foi produzido e acumulado pelos gregos, em todos os ramos do pensamento e da prática, que, no conjunto, se chama de "Filosofia". Suas influências no mundo ocidental se propagaram por 20 séculos, e suas obras ainda são leitura obrigatória para os estudantes dos cursos de Filosofia da atualidade. Se devemos a Sócrates o início da filosofia moral, a Aristóteles devemos a distinção entre o saber teórico e o saber prático.
Aristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagira, cidade macedônica ao norte de Atenas. Saiu de sua cidade natal e foi para Atenas a fim de tornar-se discípulo de Platão, na Academia. Gastou muito dinheiro com manuscritos (os livros da época) e foi um dos primeiros a organizar uma "biblioteca", por isso seu mestre sempre se referia à sua casa como "a casa do leitor". Foi ele quem propôs a existência de quatro fatores na relação causal: forma, matéria, motivo (que produz mudanças) e o fim (pelo qual ocorre um processo de mudança). A "forma" não é só o formato, mas a força que dá o formato, que modela a matéria, visando uma figura. Para Aristóteles, não há necessariamente aí uma "providência externa" projetando e executando acontecimentos terrenos. Por isso, ele cria o termo "enteléquia", "finalidade interior" ou "impulso interno". Assim, tudo é fruto apenas de "causas naturais". Elaborou as noções de ato (energeia) e de potência (dynamis). Ato seria o estado atual do ser, enquanto potência, aquilo em que esse ser se transforma. Assim, uma semente, enquanto ato, é apenas uma semente, mas, como potência, é uma árvore. A potência atualiza-se em ato sempre em vista de uma finalidade.
Práxis http://filosofia.uol.com.br/filosofia/imagens/icone_informacoes_txt.gif
Práxis significa "prática e ação". O primeiro grande gênio da filosofia a utilizar o termo foi Aristóteles, mas ganhou impulso com o materialismo dialético do teórico alemão Karl Marx (1818-1883), autor de O capital.
Menão http://filosofia.uol.com.br/filosofia/imagens/icone_informacoes_txt.gif
Menão, ou melhor, Mênon, é um diálogo de Platão, no qual Sócrates conversa com o estudante Mênon, da região de Tessália. O diálogo versa sobre virtude e a natureza do conhecimento, mente e alma. Uma dos personagens marcantes do diálogo é o escravo de Mênon, para quem Sócrates ensina fundamentos da geometria, provando a capacidade de aprendizado dos homens.
Mas Aristóteles compreendia muito bem que tudo também tinha ou provinha de uma "fonte" - ou seja, "toda causa precisa ter uma causa anterior". Donde desenvolveu a ideia do "motor imóvel" (primum mobile immotum) - um ser invisível, incorpóreo, indivisível, sem espaço, assexuado, sem paixão, sem alteração, perfeito e eterno. Esse ser não é exatamente "o criador do mundo", mas "aquele que o movimenta", como uma força mecânica imprescindível, a todas as coisas - pura energia (Actus Purus). É ele, também, quem dirá que a ética é um saber prático, pois refere-se à práxis http://filosofia.uol.com.br/filosofia/imagens/icone_informacoes_txt.gif . Na práxis, o agente, a ação e a finalidade do agir são inseparáveis. Na práxis ética somos aquilo que fazemos e esse "fazer" tem em si mesmo uma finalidade boa e virtuosa.
Podemos dizer que Aristóteles não somente fundou a Ética como disciplina filosófica, mas também expôs a maior parte dos problemas que ocuparam a atenção dos "filósofos morais", uma vez que foi ele quem definiu o campo das ações éticas. Estas não são definidas apenas pela virtude, pelo bem e pela obrigação, mas também pertencem àquela esfera da realidade na qual cabem a deliberação e a decisão ou escolha.
O estudo da conduta ou do fim do homem como indivíduo é a Ética. Ela também é uma reflexão que leva o indivíduo a discutir, problematizar e interpretar o significado dos valores morais, que estabelecem a conduta e os costumes de cada sociedade, os quais, na maior parte dos casos, são acatados como se fossem algo natural, e não cultural. Ser ético, portanto, é agir de modo a não ferir um código moral preestabelecido, de tal forma que, uma vez sendo esse o procedimento de todos, resulte em um bem comum e em uma boa relação entre membros de uma sociedade.
SOBRE A VIRTUDE
No diálogo Menão http://filosofia.uol.com.br/filosofia/imagens/icone_informacoes_txt.gif , Platão explora a questão da "virtude", perguntando-se se ela pode ser ensinada, se pode ser adquirida com exercícios, ou se nós a recebemos por natureza. Ali, Sócrates diz que antes deve-se saber o que é a virtude, pois, de outra forma, não haverá como saber como ela nos chega, ao que Menão rebate, questionando "como é possível buscar o que não se conhece?", uma vez que corre-se o risco de, mesmo o encontrando, não reconhecê-lo. Enquanto Platão tenta resolver esse embate de argumentos com sua teoria da "reminiscência" - acreditando que em nós já há um "conhecimento verdadeiro" sobre todas as coisas universais e necessárias, que pode ser acessado -, Aristóteles, seu discípulo, mantendo- -se fiel ao modo filosófico de pensar que pergunta pelo que é, prefere tomar este outro caminho, que se resume na máxima "não investigamos para saber o que é a virtude, mas a fim de nos tornarmos bons" (Ética a Nicômaco).
No sistema aristotélico, a ética é a ciência das condutas, cujo objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista da felicidade (ética eudaimônica), e esta consistiria na realização humana e no sucesso daquilo que o homem pretende obter ou fazer, e o faz no seu mais alto grau de excelência, ou seja, para chegar aonde deseja, o homem deve desenvolver suas virtudes (areté).
Os escritos aristotélicos sobre a ética e a política são a chave para a compreensão da posição filosófica do pensador de Estagira acerca da filosofia da práxis. Ética a Nicômaco é a obra de Aristóteles menos questionada quanto a sua verdadeira autoria, embora haja uma série de textos, divulgados e explorados durante toda a Idade Média, que foram atribuídos a ele sem qualquer comprovação disso, compondo o chamado Corpus Aristotelicum.
Aristóteles elabora uma hierarquia de bens do desejo, considerando-os desiguais, apropriados e até impróprios, numa busca incessante de chegar a um bem que seja mais próprio ao homem, ou seja, o orientador da vida humana. As pistas para se encontrar esse "bem maior" se encontram nas seguintes proposições:
 deve ser perfeito, definitivo e suficiente por si mesmo para fazer feliz o homem que o possui, sem necessidade de mais nada;
 deve ser procurado por si mesmo e não em ordem de conseguir outro bem qualquer, o que faria do segundo maior que o primeiro;
 deve ser algo real e atual, presente, não uma simples potência, aptidão ou capacidade para adquirir um bem qualquer;
 não deve ser algo que vem ao homem de forma puramente passiva, como uma dádiva, mas deve ser fruto da ação humana, como uma conquista, na qual esteja envolvida a atividade humana que possa ser considerada a mais nobre, pois o fim deve ser o mais nobre;
 deve fazer o homem bom;
 deve ser algo firme, estável e contínuo, que dure por uma longa vida, não algo peremptório e efêmero, descontínuo e curto.
Feito isso, a tarefa se torna menos árdua, mas não menos complexa. Deve ser feita uma investigação do homem não como "ser estático", mas "em ação", em funcionamento; portanto, deve-se entender suas "funções". Descartadas as que são comuns ao homem e aos outros seres, como viver e sentir, chega-se ao viver conforme o logos - uma atividade da alma em consonância com a virtude. Assim, duas são as condições para que o homem alcance o seu bem próprio: saber qual é esse bem (condição necessária) e viver uma vida regulada pelo logos (condição suficiente), ao que o filósofo grego concluirá que a "virtude dianoética" do cultivo da sabedoria na "vida teorética" é a atividade que distingue o homem dos outros animais, sendo, portanto, a mais nobre, a mais desejada e superior. "Virtude dianoética", para Aristóteles, é a perfeição da alma racional. Duas são as virtudes dianoéticas: phrónesis, a sabedoria que diz respeito aos princípios dos homens, e sophia, a sapiência que diz respeito às verdades supremas.
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Aristóteles acrescenta à consciência moral a vontade guiada pela razão, como outro elemento fundamental da vida ética. Segundo Marilena Chauí, "A importância dada por Aristóteles à vontade racional, à deliberação e à escolha o levou a considerar uma virtude como condição de todas as outras e presente em todas elas: a prudência ou sabedoria prática. O prudente é aquele que, em todas as situações, é capaz de julgar e avaliar qual a atitude e qual a ação que melhor realizarão a finalidade ética, ou seja, entre as várias escolhas possíveis, qual a mais adequada para que o agente seja virtuoso e realize o que é bom para si e para os outros" (1998).
Todas as ações humanas tendem a "fins" que são "bens". O conjunto das ações humanas e o conjunto dos fins particulares para os quais elas tendem, subordinando-se a um fim último, que é o "bem supremo", ou a felicidade. Esse "bem supremo", realizável pelo homem, consiste em aperfeiçoar-se enquanto "homem", isto é, consiste em uma atividade da alma segundo a sua virtude - havendo mais de uma virtude, então, segundo a melhor e mais perfeita. Diz ele: "Realizando ações justas, tornamo-nos justos; ações moderadas, moderados; ações corajosas, corajosos". Para Aristóteles, as ações acabam por se tornar "hábitos", "estados" ou "modos de ser", que nós mesmos vamos construindo, sem necessidade alguma de imposições ou coerções externas. Aristóteles proclama os valores da alma como valores supremos, embora, com seu forte senso realista, reconheça uma utilidade também nos bens materiais, em quantidade necessária, já que eles, mesmo não estando em condições de proporcionar a felicidade, podem, de certa forma, comprometer a realização dela com a sua ausência.
Aproveitando a deixa da "utilidade dos bens materiais", para não perder de vista aquilo que foi dito lá no início, voltemos à questão do exercício político e dos constantes deslizes praticados por aqueles que são eleitos democraticamente para, nos mais elevados cargos públicos, representar os cidadãos de uma cidade, estado ou país. O que temos visto, pelo menos no âmbito da política brasileira, é um sem-número de casos horripilantes de aquisição de bens materiais por parte de representantes impostores, por meio da malversação do erário público, da desmedida exploração de privilégios escusos e do conluio com bandidos e empresários corruptos e corruptores. Exemplos mais extremos de total e explícitafalta de ética, que, em hipótese nenhuma, deveriam fazer parte da conduta de um simples cidadão, por conseguinte, menos ainda de cidadãos que se tratam pelo nobre termo de "vossa excelência".
"Excelência", esta palavra foi citada em um outro parágrafo na sua denotação própria, mas, como vemos, não podemos dizer o mesmo sobre ela no parágrafo acima. Excelência, na conduta enquanto cidadão, exercendo ou não um elevado cargo público ou uma profissão de destaque na sociedade, como a de médico, padre, professor ou advogado (como ainda é de costume se ter em grande prestígio) é exemplo de "vida ética", não apenas para se tratar como assunto filosófico, mas, sobretudo, para se saber se o homem, mesmo com todos os percalços que lhe são impostos pela vida, ainda se conduz para e pelo bem.
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Acima de tudo, Aristóteles diz que "A virtude tem a ver com paixões e ações, nas quais o excesso e a falta constituem erros e são censurados, ao passo que o meio é louvado e constitui a retidão". Daí desprende-se que agir com paixão é agir com o coração. Uma paixão comedida, é certo, porém, movida pelo desejo, o benfazejo desejo que almeja somente o bem. Não um bem particular e interesseiro, mas um bem coletivo e comum. Exercer uma profissão, para muitos, é como exercer um "dom", algo que parece estar na própria natureza do indivíduo, e que ele aparenta saber "de cor" como fazer, sem que ninguém o tenha ensinado. Um agir que ele sabe já em seu coração e que, exatamente por essa razão, deveria coincidir com o "agir ético". O coração é, para Aristóteles, o órgão principal no corpo humano, pois é a partir dele que todos os outros órgãos se desenvolvem, além de ser, também, produtor, o recipiente e o distribuidor do sangue - o alimento do corpo. E, como os órgãos da percepção - os olhos, os ouvidos, a pele - estão ligados ao coração pelos vasos sanguíneos, as diversas sensações acabam por confluir no coração, onde as impressões do mundo exterior são coordenadas. Refutando Platão, que situava a coordenação dos sentidos no cérebro, Aristóteles define o coração como lugar responsável pela percepção e, ao mesmo tempo, como o centro das emoções.
Muito tempo já se passou desde que o estagirita escreveu seu tratado ético, como um guia para a conduta humana e, infelizmente, a mediania, uma virtude imprescindível para Aristóteles, parece estar longe da mente e do coração da maioria dos homens de hoje que se propõem às atividades mais "nobres" da vida humana. Com isso, toda a coletividade é prejudicada e ainda é impingida a assistir a vitória da impunidade sobre outra importante virtude, a justiça. Como o próprio Aristóteles diz, em Política, "[...] é fora de dúvida que os homens que estão no poder precisam possuir alguma superioridade sobre aqueles que são governados". Porém, quando os representantes políticos, aqueles que deveriam servir de exemplo ao povo que o escolheu como "os melhores", são o produtores de atos corruptos e promotores de crimes contra os próprios cidadãos a quem representam legitimamente, dificilmente encontramos nessa sociedade valores éticos. Diante de tais evidências, concluímos que Ética pode até ser uma palavra bonita de se pronunciar, mas sua "beleza" só tem mesmo eficácia na ação. "Ademais, errar é possível de muitos modos, ao passo que agir retamente só é possível de um".
*Jaya Hari Das é filósofo, graduado pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA, e diretor do MOFICUSHINTH - Movimento Filosófico "Cura do Ser Humano Integral" - Terapia Hari. 

sábado, 13 de outubro de 2012





E Deus fez os normais de beleza. Com uma unica função que a beleza seja comum na criação.


O que antes era considerado belo, justo e bom?! Justiça, bondade, respeito, amor, dignidade, prudência, família, cordialidade, política, harmonia e tudo mais que levasse o homem a completar a criação do seu Criador. Hoje o que se tem como belo?! Apenas um padrão imposto por um mundinho de poucos e que o final desta história é como a partida de xadrez. No final pião e rei serão guardados na mesma caixa.
Tenho dito!!

domingo, 29 de abril de 2012

Como um costume... Mesmo assim sou feliz!


Mas o que estaria eu fazendo ali, que não gosto de jogar nem palito, fazendo naquele lugar? Meus amigos não sabiam, mas o que eu queria mesmo não era ficar apostando fichas, papos para o ar numa mesa, e sim assistir a um show no lendário Golden Nugget, porque o mundo não é feita só de jogos, mas também de grandes espetáculos. O artista? Ele. A Voz. Frank Sinatra.

E Sinatra não decepcionou. Cantou Fly Me to the Moon, Strangers in the Night, New York, New York, fazendo o imenso teatro quase levitar; e de repente atacou uma música que mexeu comigo de um jeito que eu não esperava: My Way.

"I've lived a life that's full/ I traveled each and every highway/ And more, much more than this/ I did it my way"...

A música, adaptada por Paul Anka da francesa Comme d'Habitude, é o desabafo de um homem que confessa que viveu intensamente, amou, viajou, riu, chorou e sabe que, em alguns momentos, mordeu mais do que podia mastigar. Mas de nada se arrepende, pois tem a consciência de que, tudo que fez, fez porque quis e, acima de tudo, fez como quis. "Fiz do meu jeito", insiste - I did it my way.

O impacto sobre meu ser foi forte porque eu tinha duas dúvidas que ficaram mais fortes depois que eu refleti sobre a música. A primeira é se eu estava conduzindo minha vida do jeito que eu queria. A segunda é se, afinal, eu sabia que jeito era esse.

Comme d'Habitude

Como de Costume
Eu me levanto
E te procuro
Mas você acorda não acordará
Como de costume

Sobre você
Eu coloco o lençol
Tenho medo que você tenha frio
Como de costume

Minha mão
Acaricia seu cabelo
Quase a pesar
Como de costume

Mas você
Você vira as costas para mim
Como de costume

Então
Eu me visto rapidamente
Deixo o quarto
Como de costume

Sozinho
Eu bebo meu café
Estou atrasado
Como de costume

Silenciosamente
Saio de casa
O céu está cinza lá fora
Como de costume

Eu sinto frio
Levanto minha gola
Como de costume


Como de costume
O dia inteiro
Eu vou jogar
Um faz de conta
Como de costume
Eu vou sorrir
Como de costume
Eu vou até rir
Como de costume
Finalmente eu vou viver
Como de costume

E depois
O dia acabará
E eu voltarei
Como de costume

Você
Você terá saído
E ainda não terá voltado
Como de costume

Sozinho
Eu irei me deitar
Nesta cama fria
Como de costume

Minhas lágrimas
Deixarei cair
Como de costume

Mas como de costume
Bem tarde da noite
Eu vou jogar
Um faz de conta
Como de costume
Você voltará
Como de costume
Eu te esperarei
Como de costume
Você sorrirá para mim
Como de costume

Como de costume
Você se despirá
Sim, como de costume
Você se deitará
Sim, como de costume
Nós nos beijaremos
Como de costume

Como de costume
Vamos fingir
Como de costume
Amaremos-nos
Sim, como de costume
Vamos fingir
Como de costume

Ainda assim espero.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Dedico-lhe minha homenagem!

"Cuidado, a vida é pra valer. E não se engane não, tem uma só. Duas mesmo, que é bom, ninguém vai me dizer que tem sem provar muito bem provado, com certidão passada em cartório do céu, e assinada embaixo: Deus! e com firma reconhecida."

A frase acima é Vinícius de Moraes e a composição desde texto Eugenio Mussak, com adaptação por minha conta e contextualização. Só podia ser de transgressores. É uma das partes faladas do Samba da Bênção, que Vinicius de Moraes compôs e Baden Powell musicou. Enaltecendo a beleza do samba e a aventura do amor, ele fala mesmo, em seus versos, da arte de viver. Pede bênção aos amigos e diz que já viajou em muitas canções, mas que ainda há muitas para viajar.

Os versos de nosso "poetinha" resumem como poucos a dupla função da poesia: agrada aos sentidos e faz pensar. "Cuidado, a vida é pra valer", não é algo a ser desperdiçado, até porque, "não se engane não, tem uma só". Por isso temos que estar de bem com ela.

Estar de bem com a vida. Esse é um tema que ultrapassa o terreno estéril das frases de efeito e chega ao território fecundo da filosofia, minha ária. "Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão", disse Nietzsche, para depois admitir que invejasse a leveza desses seres. "Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arranca lágrimas e canções", completou. Pois até o mal-humorado filósofo alemão admitiu que há virtude em buscar a paz com o viver.

E o que é estar de bem com a vida senão a capacidade de manter um estado de alegria a despeito das vicissitudes da própria? É claro que a vida é dura, injusta e muitas vezes cruel conosco. Todos sofremos com as perdas e com as angústias próprias do viver, mas não é disso que estamos falando. As condições externas influem, sim, mas o tema aqui é o estado da alma.

Não me agrada o discurso fácil da auto-ajuda que insiste que você tem a obrigação de ser feliz. Não, felicidade não é uma obrigação nem uma competência. Não é uma alienação. Felicidade nem sequer é um estado definitivo, e com certeza não é um lugar aonde se pode chegar. Por outro lado, não me agrada também a condição das "vítimas do sistema", que se orgulham de sua amargura e a exibem como um troféu conquistado – Falo da Educação em SP.

Conheço pessoas que souberam lidar bem com as dificuldades naturais de suas existências e conheço outras que se transformaram em vítimas tristes nas mesmas condições. É claro que há situações de extrema dificuldade, e negar a tristeza que vem junto é negar a própria condição humana por mim tão falada em aulas e palestras. Mas essa não é a questão. Não me refiro às tragédias, e sim às dificuldades corriqueiras, que impregnam nosso cotidiano como o musgo na face sul do tronco das árvores, e que podem, com o tempo, apagar o brilho de viver. A menos que não se deixe que isso aconteça.

Encontrei pessoas de bem com a vida nas grandes cidades, trabalhando em imensas corporações. Encontrei-as também em pequenas vilas do interior por onde trabalhei ou do litoral por onde passei. Em lugares pobres e em lugares ricos. Em tempos de tranqüilidade e em tempos de crise. Ou seja, em todos os lugares. E também encontrei pessoas de mal com a vida. Onde? Exatamente nos mesmos lugares.

Este talvez seja um dos grandes mistérios da psique humana. O que faz a diferença entre esses dois tipos de indivíduos? Será sua genética ou terá sido sua educação?

Lembro-me de meus colegas de colégio. Estávamos todos naquela fase de definir o futuro, de escolher a faculdade, de sonhar com o sucesso. Eu, por exemplo, já tinha me decidido: queria ser historiador. E também queria ser rico, famoso, comprar um carrão, viajar bastante e ter um monte de relacionamentos, claro. Afinal, éramos todos adolescentes, cheios de espinhas e de sonhos.

Havia ali os futuros engenheiros, advogados, empresários, e até um diplomata – Giovanny! E havia Ricardo. Ele não tinha planos grandiosos, não queria ficar rico nem famoso. Quando alguém lhe perguntava o que queria ser na vida, ele respondia com um sorriso: "Eu quero é ser feliz". E eu via sinceridade em sua afirmação.

O Ricardo era desses garotos raros que, ao contrário da maioria, não parecia estar em guerra contra o mundo. Não tinha inimigos, não se empatotava para odiar a outra "patota". Não se queixava das exigências dos professores nem da dureza das provas, que, aliás, ele tirava de letra, não ligava quando diziam que éramos filhos de pais separados e por isto éramos sem futuro.

Ricardo não era rico, nem bonito, nem atleta talentoso. Ele era como a maioria, com virtudes e fragilidades. Era como eu, só que ele tinha algo que lhe era singular. Ele parecia estar de bem com a vida. Estas são as lembranças que tenho de você meu amigo e que resolvi lhe prestar esta homenagem hoje quando soube que você já não mais me viria visitar, conversa, chorar, sonhar e me fazer sonhar, cantar e me fazer acreditar na vida, mesmo ela sendo ruim às vezes conosco e que para apaziguarmos nossa alma víamos Pedro Almodóvar em casa e depois saímos para bebericar e filosofar sobre. Pois é, soube hoje que você já não estava mais aqui e soube por telefone ainda cedo.

Quero que saiba e que todos saibam que continuaremos juntos meu amigo! O que nos afasta também nos uniu mais! Saudades... E Até breve!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011






Boníssima tarde a todos!

PEACE- PAZ- PACO- PACE- PAIX- SHALOM- SALAAM! 


Chega-se um tempo de reflexão que independe dos costumes, tradições, religião e ideologias. Acredito que este tempo faça ou mexa com qualquer pessoa. Acredito que este tempo, um dia será perpétuo e constante em nossas vidas. Há mais, muito mais, para o Natal do que luz de vela e alegria; É o espírito de doce amizade que brilha todo o ano. É consideração e bondade, é a esperança renascida novamente, para paz, para entendimento, e para benevolência dos homens. Utópico?! Sim. Sou! E acredito que tem outro assim como eu que pensam e idealizam o mesmo. De maneira que de formas tal. Desejo a todos sem exceção alguma, BOAS FESTAS E SEJAM SEMPRE FELIZES!

*Roráte caeli désuper, et nubes pluant iustum.

Ne irascáris, Dómine, / ne ultra memíneris iniquitátis: ecce cívitas Sancti tui / facta est desérta: Sion desérta facta est: / Ierúsalem desoláta est: domus sanctificatiónis tuae et glóriae tuae, / ubi laudáverunt te patres nostri.

Tradução:

*Derramai, ó Céus, das alturas, o seu orvalho, e as nuvens chovam o Justo.

Não vos irriteis, Senhor, e não recordeis nossas iniqüidades.
Eis que sua Cidade Santa foi feita um deserto: Sião um deserto tornou-se, Jerusalém está desolada; a casa de Sua santificação e de Sua glória, onde Vos louvaram nossos pais.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um compromisso!


O Anel de Tucum – Um compromisso!

Muita gente, mas muita gente mesmo (alunos e colegas de trabalho) me pergunta o que significa a "grossa argola" negra que carrego no anular da mão direita ou esquerda junto com a aliança de ouro. Bom, imaginando que mão e dedo não interferem no significado do anel de tucum (esse é o nome da tal "argola"), costumo responder que se trata de minha opção pelas lutas populares, pelas classes subalternas (TODAS). Trata-se, pois, de uma aliança popular, de um pacto de honra e determinação por fazer tudo que estiver ao meu alcance, como indivíduo e como ser social, para levar adiante a reivindicação de direitos e a esperança por um mundo realmente humano e fraterno. Na explicação que publico abaixo - encontrada sem autoria nas venturosas páginas da rede mundial de computadores e sensivelmente editada e re-editada por mim - está a origem histórica e religiosa dos grandes pactos, das grandes alianças... E também alguns emblemas para refletir sobre a força e a importância do anel de tucum, que carrego no dedo e, principalmente, no coração, na ação cotidiana apaixonada...

Eram diversos e variados os rituais para celebrar uma aliança. Os mais simples eram: apertar a mão um do outro, dar um presente, trocar de veste ou de armas. Os mais profundos eram: beber ou misturar o sangue um ao outro, ou imergir a mão numa bacia de sangue; às vezes cortavam-se animais sacrificados e passava-se entre eles (cf. Gen. 15-17; Jer 38,18). O sentido desse gesto é que os aliados aceitavam a sorte de tais animais, caso quebrassem a aliança ou não cumprissem suas obrigações. Daí o papel importante desempenhado pela aliança tanto na vida privada quanto na vida pública entre os povos que viviam em organização tribal.

Conforme a tradição bíblica, Deus celebrou várias alianças com seu povo ao longo da história, culminando na pessoa de Jesus de Nazaré. Desde então os seus seguidores passaram a falar em antiga e nova aliança. Assim como a antiga aliança foi constituída pelo sangue dos animais sacrificados (Ex 24,8), a nova aliança foi constituída pelo sangue de Jesus Cristo (Heb 9,11-20;10,1-18).

No rastro dessa tradição, renasce o simbolismo da Aliança no Anel de Tucum, extraído de uma palmeira da Amazônia, cheia de espinhos, o símbolo do compromisso e da aliança com as causas dos oprimidos, excluídos e marginalizados - e suas lutas por libertação.

Foi na década de 70 que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) adotou e divulgou o Anel de Tucum, hoje usado no mundo inteiro por quem assume a luta pelas causas populares, misturando-se com a sorte dos pobres da terra.

Esse símbolo foi bem escolhido, pois assim como é penoso fazer o anel de tucum, também é árdua a luta por dignidade, vida, esperança e paz.
O cantor e compositor Rubinho do Vale possui uma belíssima canção que retrata muitíssimo bem o sentido da aliança expressa pelo anel de tucum. 

Vejamos a letra de "Canção da Esperança":

A canção da esperança que vou anunciar
Vem como a luz do dia
Vem trazendo a aliança do céu com a terra e o mar
Tudo será harmonia
São notas musicais que o silêncio bonito traduz
Sentimento de paz vem de tempo infinito de luz
Toda a humanidade vai ver que a bondade
Na verdade é um grande dom
Esse tempo novo vai encantar o povo
Na certa quem viver verá que é bom
A canção da esperança que venho anunciar
Na linda luz desse dia
É o caminho da bonança bom pra gente caminhar
No brilho da harmonia
Com amor a justiça e a paz se abraçarão
A felicidade da fraternidade é união
Para ter clareza de toda essa beleza
É preciso abrir o coração
Nessa nova era de nova primavera
O meu canto é uma celebração

domingo, 4 de dezembro de 2011

A existência de mais uma opção.



Parece que passamos a vida decidindo, e, ainda que a maioria das pessoas não tenha essa consciência, os momentos de decisão são, também, momentos de ansiedade. Só que uma ansiedade que deriva de uma coisa boa: a existência de mais de uma opção.
A rigor, a ansiedade de escolher é a de ser livre. Escolher é exercer a liberdade, com suas prerrogativas e responsabilidades. E a liberdade só pode ser bem exercida por quem está preparado para ela, ou seja, quem tem maturidade intelectual e emocional para tanto. A liberdade é um valor adulto.
Poder escolher é uma conquista. Então por que às vezes sofremos com isso? A escolha é um privilégio, o problema é a renúncia. E o que nos martiriza são as renúncias definitivas ou aquelas que nos causam insegurança. Para os mortais comuns como eu, a escolha da carreira, por exemplo, significa renunciar a uma grande quantidade de opções, talvez melhores.
Então estamos condenados a conviver com a dúvida de termos feito a escolha certa? Se tomar uma decisão provoca ansiedade, muito pior é não ter a oportunidade de decidir.
Em inglês, escolher é "to choice", mas os americanos, sempre práticos, utilizam uma expressão curiosa para falar sobre escolhas, especialmente no mundo dos negócios, em que os executivos vivem tendo que tomar decisões - "trade off". Mais do que uma escolha, a expressão "trade off" quer significar uma troca.
E a troca significa uma espécie de condenação determinista a que todos estamos sujeitos. Afinal, não se pode ter tudo. Quer isto? Então não vai ter aquilo! E lamba os beiços, porque tem gente que não vai ter isto nem aquilo - parece dizer o “destino”, com seu olhar de reprovação diante de nosso desespero. Que 2012 seja um ano doce e bom. As minhas escolhas eu já fiz, agora é só esperar.

Boa tarde e seja feliz!

  Crônica de um corpo que pede pausa. Hoje me peguei pensando no que se passou na semana passada. E nesta semana? Também pensei. Semana pas...